Eu devia ter uns seis anos quando entrei pela primeira vez em um circo.
O circo Moscow nasceu, certa tarde, da boca da minha terceira professora. Era um mágico barco perdido no oceano e repleto de luzes. Havia um par de trompetistas que se diziam guerreiros e palhaços aborrecidos com suas cornetas de papelão. No alto, bandeiras esfarrapadas ondulavam anunciando o maior espetáculo da terra. A lona era desastradamente remendada, como os leões, muitos deles na fila da aposentadoria. Mas ela me contou que aquela lona se faria castelo e que aqueles animais cansados seriam, no passar das horas, os reis uníssonos daquela selva. Uma senhora rechonchuda anunciaria a festa com suas lantejoulas brilhantes enquanto voaria no trapézio a um metro do chão.
Foi então que me imaginei acrobata. Aos seis anos, saltei de verdade, lá do alto, em minha primeira acrobacia. E quebrei as costelas.
E assim, depois, seguiu a vida. Nas horas, longas horas de luta pela liberdade de pensamento, e nos amores: sempre saltando, voando e quebrando as costelas.
Quem pisa a primeira vez em um circo não o abandona jamais.
26/01/2010 às 8:13 pm |
é claro, somos os próprios palhaços que rimos das micagens dos outros.
14/04/2010 às 11:35 pm |
Quando os clarões da lua cheia cair sobre as Missões e junto estiver a figura de uma índia que foi queimada junto ao pé de porangá – preste atenção: eu estou por perto.