As portas do templo fechadas
E eu aqui…
Minha fé de joelhos hesita… (será fraca?)
Não deseja entrar,
Nem sair…
Impuros fiéis mendigam bençãos
Mas nem sabem pedir…
Ficam ali,
De longe observo os pecados
E sinto a torre me engolir…
Pássaros e homens inquietos
E sinos calados
Com seu ritual,
Permanecem suspensos…
Atormentadas almas doentes,
Famintas de amor…
Há rosários (e lágrimas) no chão…
Ouço risos hipócritas,
E dementes clamores (de quê?)
Uma cruz solitária perfila sua sombra
E vem me buscar…
Há ainda alguma luz perdida
A vagar por aqui…
E eu me escondo… não quero (nem posso ir…)
São pecados demais,
Que cometi…
Calçadas marcadas por passos arrependidos (do quê?)
Procissões (de desespero)
Passam sempre por aqui,
E pedem: “Ó, roguem por mim”
Segue a romaria egoísta,
E velas queimadas derretem
Esperanças,
Apagam-se,
Cessa a luz…
A penitência no escuro,
É seguir,
Segue o calvário urbano…
Sem luz,
E sem prece…
O vigário esquecido
Esquece o sermão (decorado. E a batina?Jesus!)
Há um matrimônio por vir…
Cabelos enrrolados,
Ensaios, sem fé…
Vestidos e flores
E festas, e sonhos
Será essa toda a beleza que há?
Pilastras escondem a verdade
Não a deixam entrar…
Não haverá perdão quando a porta se abrir
E o céu se fechar.
De longe, de novo,
Observo…
Não poderei entrar,
Nem sair…
Há um exército de santos suspensos
A me vigiar…
Mas não sabem o que sinto
Nem podem devolver o que perdi…
Minha inocência… minha inocência… perdi…
Sou como o anjo expulso,
Desobediente,
Teimoso,
Malvado…
E se Lúcifer não perdoar meus pecados
Permanecerei sempre no erro?
As portas do templo vão se abrir…
Mas não posso entrar…
Nem sair…
26/01/2010 às 8:10 pm |
Fabianeeeeeeeeeeeeeeeee!!!
elouqueceste guria!
sensacional
27/01/2010 às 7:22 pm |
É Renatinho… os surtos acontecem assim… De repente… (e depois relendo ainda fiz pequenas alterações: Uma voz esquecida no cadafalso do tempo, deseja viver, mas é tarde demais… o tablado se abriu…)
Amavelmente Grata.
Abraço.
08/02/2010 às 4:57 pm |
Sei nem que dizer!
- Belo, real, muito sofrido.
Ótimo poema,
08/02/2010 às 11:50 pm |
Assim é a vida amigo. A dor é amante da poesia. É ela que nos faz sentir tudo. O que nos sobra e ainda com mais intensidade o que nos falta.
Obrigada.
Abraço.