Templos – Fabiane Dornelles

As portas do templo fechadas

E eu aqui…

Minha fé de joelhos hesita… (será fraca?)

Não  deseja entrar,

Nem sair…

Impuros fiéis mendigam bençãos

Mas nem sabem pedir…

Ficam ali,

De longe observo os pecados

E sinto a torre me engolir…

Pássaros e homens inquietos

E  sinos calados

Com seu ritual,

Permanecem  suspensos…

Atormentadas almas doentes,

Famintas de amor…

Há rosários (e lágrimas) no chão…

Ouço risos hipócritas,

E dementes clamores (de quê?)

Uma cruz solitária perfila sua sombra

E vem me buscar…

Há ainda alguma luz perdida

A vagar por aqui…

E eu me escondo… não quero (nem posso ir…)

São pecados demais,

Que cometi…

Calçadas marcadas por passos arrependidos (do quê?)

Procissões (de desespero)

Passam sempre por aqui,

E pedem: “Ó, roguem por mim”

Segue a romaria egoísta,

E velas queimadas derretem

Esperanças,

Apagam-se,

Cessa a luz…

A penitência no escuro,

É seguir,

Segue o calvário urbano…

Sem luz,

E sem prece…

O vigário esquecido

Esquece o sermão (decorado. E a batina?Jesus!)

Há um matrimônio  por vir…

Cabelos enrrolados,

Ensaios, sem fé…

Vestidos e flores

E festas, e sonhos

Será essa toda a beleza que há?

Pilastras escondem a verdade

Não a deixam entrar…

Não haverá perdão quando a porta se abrir

E o céu se fechar.

De longe, de novo,

Observo…

Não poderei entrar,

Nem sair…

Há um exército de santos suspensos

A me vigiar…

Mas não sabem o que sinto

Nem podem devolver o que perdi…

Minha inocência… minha inocência… perdi…

Sou como o anjo expulso,

Desobediente,

Teimoso,

Malvado…

E se Lúcifer não perdoar meus pecados

Permanecerei sempre no erro?

As portas do templo vão se abrir…

Mas não posso entrar…

Nem sair…

4 Respostas para “Templos – Fabiane Dornelles”

  1. renato schorr Disse:

    Fabianeeeeeeeeeeeeeeeee!!!
    elouqueceste guria!
    sensacional

  2. Fabiane Dornelles Disse:

    É Renatinho… os surtos acontecem assim… De repente… (e depois relendo ainda fiz pequenas alterações: Uma voz esquecida no cadafalso do tempo, deseja viver, mas é tarde demais… o tablado se abriu…)

    Amavelmente Grata.
    Abraço.

  3. João Justiniano Disse:

    Sei nem que dizer!
    - Belo, real, muito sofrido.
    Ótimo poema,

  4. Fabiane Dornelles Disse:

    Assim é a vida amigo. A dor é amante da poesia. É ela que nos faz sentir tudo. O que nos sobra e ainda com mais intensidade o que nos falta.
    Obrigada.
    Abraço.

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